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Como fazer crescer dinheiro em árvore?


A idéia do Yunus do microcrédito é simples e genial.
Com uma pequena semente, é possível gerar uma árvore grandiosa, que pode dar muitos frutos.
O solo são as pessoas. Os nutrientes do solo é o conhecimento dessas pessoas. E regar a planta é a atenção diária que deve ser dada ao negócio.
Todos esses elementos podem existir na população pobre. Não há porque não negar o serviço bancário à base da pirâmide. Foi isso o que Yunus percebeu!

Semana passada, passamos 5 dias na zona rural, numa imersão no dia-dia das operações do Grameen Bank, que só atua no campo. Podemos perceber de perto os elementos que possibilitaram ao Grameen Bank ter o sucesso que teve. Enxergamos as estratégias metodológicas que usaram e como o ambiente social de Bangladesh teve influência.

As sementes vêm da própria árvore, ou seja, o capital que é investido pelo banco nas pessoas, pertence em grande parte às próprias pessoas. É com muito orgulho que se diz aqui que "Os pobres são os donos do banco". Eles têm aqui um sistema de poupança, em que cada membro do GB tem obrigação de depositar um pouquinho a cada semana. E rigorosamente os depósitos são feitos. É como uma educação financeira "forçada". Portanto, é como se os pobres estivessem emprestando a eles mesmos para o seu próprio desenvolvimento. Altamente libertário, autogestor, não?

No seu começo o Grameen Bank tinha uma parceria bem próxima como o governo local, que possuía uma 60% da participação no capital do banco. Hoje a situação cada vez mais se inverte, sendo de mais de 75% a participação dos membros no capital do banco.

A planta precisa ser regada e nutrida diariamente, para que dê frutos. Precisa de trabalho constante. A disciplina e o trabalho duro são princípios do banco, que são cultuados claramente. Toda semana, todos os membros de uma determinada região, se reunem, no chamado center meeting, que é uma reunião bem disciplinada, quase militar, com algo parecido com comandante, continência e até grito de guerra. Além disso o sistema operacional do banco é muito bem amarradinho. Tudo isso me lembra bem os tempos de Colégio Militar.

Por fim, quanto mais nutrido o solo, melhor a qualidade e quantidade de frutos. Quanto mais educação, mais frutos a árvore pode gerar. Na minha opinião talvez esse seja o ponto em que o Grameen Bank tenha mais a crescer. De fato, só o que se fala aqui é em educação. O banco oferece empréstimos focados nos estudos. Ao perguntar às mulheres - quase todos os clientes são mulheres, por estratégia do banco - quais os seus sonhos, muito frequentemente a resposta era que seus filhos tivessem uma boa educação.
Mas para que o desenvolvimento realmente ocorra, para mim, não pode ser qualquer educação. Tem que ser uma diferente da tradicional. Não precisa ser um mestrado no exterior ou algo assim muito distante. Mas uma educação mais conectada com a realidade local, que dê capacidade a elas de observarem o meio a sua volta e proporem soluções!
Com esse tipo de fertilizante, as sementes têm muito mais chances de gerar grandes e variados frutos!




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Que país é esse?


Possui fartura em diversos tipos de frutas tropicais, como coco, caju, banana, abacaxi, manga, limão... As pessoas comem arroz quase todo dia.
Em geral, seu povo é simpático e amigável, não sendo difícil de conseguir um sorriso do rosto. Mas volta e meia se ouve casos de corrupção, tanto no serviço público quanto na política, que há pouco, saiu de vários anos de ditadura militar.
Os serviços públicos são precários. Grande parcela da população é pobre. Meio à pobreza, é possível notar a presença de muita gente rica! O que não falta eh Corolla no meio da rua. Nesse país, é visível a grande desigualdade social.
É um país bastante religioso, que cultiva tradições, mas ao mesmo tempo a gente sente um espírito malandro, de dar aquele jeitinho e de não seguir tudo à risca.
Possui mais de 150 milhões de habitantes.
( ) A . Brasil
( ) B . Rússia
( ) C . Bangladesh
( ) D . EUA
Tá difícil?... É o Brasil?... E se tudo isso for num território um pouco maior que o Amapá?
Resposta C, Bangladesh!
Aqui em Bangladesh estou como se tivesse usando uma lupa, examinando o Brasil. Os dois países são bem parecidos! Quase tudo que vejo aqui, também vejo no Brasil, em especial no Ceará. Sendo que aqui é bem mais nítido, ampliado.
Nessa primeira semana, o que tivemos foi algo bem de leve, servindo para nos aprofundarmos no funcionamento e na cultura do banco. No 1º dia, fomos recebidos por alguns coordenadores, que palestraram sobre as operações e a cultura da organização, e pela diretora do departamento internacional, que deu as boas vindas mais “fofinhas”. No 2º dia vimos alguns vídeos, que, em geral só falam coisas boas da instituição, não se aprofundando muito.
Só deu pra perceber algo mais concreto no dia seguinte, quando visitamos um vilarejo rural, próximo da capital. Bizarro como se parece com o Brasil. Eu estava no interior do Ceará, tanto pelo jeito das pessoas, quanto pelo ambiente! Então, surgiram muitas perguntas interessantes, cujas respostas pretendo tirar dos próximos dias, como ”Será que isso funciona na cultura brasileira e que pontos do sistema daqui precisam ser adaptados a nossa realidade brasileira pra que o conceito de negócio social funcione no Brasil.
Mas observando as coisas por aqui, com essa lupa, dá vontade de voltar para o Brasil e ajudar a implementar soluções para os nossos problemas coletivos. Queria eu que todo mundo aí pudesse passar pela mesma experiência e criasse a mesma vontade. Poderíamos nos juntar e fazer coisas muito boas!
Hoje vi um filme sobre a replicação do Grameen Bank na Costa Rica. Numa palestra o Yunus pergunta para a platéia de mulheres empreendedoras que pegaram empréstimo no banco: “Que problemas vocês enfrentam nos negócios?” Daí uma delas começa a dar seu depoimento, reclamando do mercado, que o preço dado ao produto dela era muito caro e coisa e tal... Daí ele pergunta: “Quem aqui já enfrentou problemas com o mercado?” Todas elas levantam a mão! Então, era de se esperar que o Yunus tivesse uma resposta pronta de como vencer as barreiras de preços baixos no mercado. Mas daí ele manda uma mais ou menos assim: “Se reúnam e discutam sobre seus problemas comuns, que logo surge uma solução!” Ou seja, a resposta para o problema do grupo vem do próprio grupo e não de um sabichão de fora! Fantástico! Acho que tá faltando isso no Brasil...Galera se juntar e achar solução!
Próxima semana, iremos viajar para um interior distante, passar 5 dias no vilarejo. Na volta conto mais =D!
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Quantcha Gentche...

Fala galera!!

Cheguei aqui em Daca ontem pela tarde. Vou trabalhar no Grameen Bank durante 6 semanas, começando domingo (os dias úteis aqui são de domingo a quinta).
Antes de vir para Bangladesh, peguei uma carona com a CV e passei o fim do ano, pelo velho (e gelado) mundo, visitando Madrid, Barcelona, Paris, Amsterdã e Berlin.



Começei a sentir o clima de Bangladesh já no aeroporto em Doha, em conexão para cá , na sala de espera. O avião atrasou 2 horas, o que deixou todo mundo inquieto. Na sala, não havia ninguém pra informar nada, apenas uma tela em árabe e outra em inglês, sendo que a língua da galera é Bengali. Mas foi só chegar alguém da companhia, que todo mundo se levantou de uma só vez, formando uma multidão na frente da coitada da mulherzinha, exigindo uma satisfação! Foi interessante, diferente. Aliás daí pra frente tudo tem sido bem diferente.

No avião a aventura continuou. O avião era gigante! Pra tanta gente, um avião proporcional, certo? E vi uma coisa que nunca tinha visto, o saquinho de vômito sendo usado, por 2 italianas perto de mim. Carteio que foi por causa da comida oriental, bem estranha, que foi servida...

Chegando no aeroporto, tive uma ótima impressão das pessoas. Senti que são muito atenciosas e prestativas! Mais de uma vez elas se ofereceram pra ajudar com as malas, de um modo amigável.
Um sorriso no rosto, no fim de um contato foi comum.
O aeroporto em si, não é uma bagunça total, como esperava. Na verdade me pareceu legal, apesar de minha mala ter sido a última a ser entregue na esteira e eu ter passado quase 1 hora esperando.

Na cidade me chamaram a atenção muitas outras coisas, como a bagunça no trânsito, a GRANDE, mas GRANDE mesmo, poluição atmosférica, a grande quantidade de gente andando descalça e a quantidade de carrão importado. Além disso

Tudo é muito barato! Um celular por 18 dólares! Um salgado por 35 centavos de dólar!
E o que achei mais bizarro:




Na rua tem um monte triciclos com esse, chamados de riksha. São o meio de transporte mais comum aqui em Daca. Os caras pedalam pesado uma meia hora pra ganhar o equivalente a 50 centavos de dólar, quando muito, pois a turma aqui negocia pra tudo!
Sei que para o custo de vida aqui, meio dólar não é TÃO pouco, mas o fato é que dá pra um brasileiro se sentir rico aqui.



Finalmente fico com a sensação de que tudo aqui é bem diferente, sendo o oposto da Europa. As coisas ainda estão bem desorganizadas, e para onde você olha você vê oportunidade de melhora, sem entender "porque não ajeitam logo isso, porque não botam um semáforo?!". Por outro lado, as pessoas são bem amigáveis e servidoras, fazendo-me sentir próximo delas. Tenho o sentimento de privilégio de ser de um país que, num meio termo, aproveita o lado bom dos dois lugares.
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